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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pequeno conto de natal.


A neve caia aos poucos no belo jardim decorado e suas pequenas mesas de carvalho mesas e com a cerca de madeira recém pintada de uma cor estranha de dourado. A bonita menina com apenas quinze anos parada a porta do pequeno casebre em que morava desde os três anos chorava silenciosamente enquanto ouvia as canções de natal que tanto amava no seu toca fitas velho e decrépito.

Ela crescera com aquilo, o espírito natalino, os cheiros que vinham da cozinha enquanto sua mãe assava nozes e repartia o peru para a ceia, seu pai na sala fumando seu cigarro de menta sentado em sua pequena poltrona atarracada num canto qualquer da sala em frente à TV e sorrindo dos seriados mais idiotas possíveis, o barulho de seu pequeno irmão gritando em frente à cerca atrás de seu pequeno cachorro, sua irmã mais velha chegando com o carro velho dos pais e saindo de mãos dadas com seu namorado de cinco anos. Olhou para trás e viu seu pequeno gato miando e vindo de encontro à ela.

Não havia como desprender a bonita loira dos olhos profundamente azuis e das bochechas constantemente coradas do natal, ela, fora feita para aquilo. Passar os dias arrumando a árvore, ajudando a mãe na cozinha, fazendo pequenos serviços de escritora para blogs e revistas e conseguir alguns trocados para ajudar a comprar os presentes da família, tudo isto estava em sua alma. Como um soco no estômago de algum valentão da escola a alma dela fora arrancada. Quando pequena por volta de seus seis ou sete anos ela passava o ano inteiro sonhando com este dia, com o dia que ela veria que não havia ganhado nada, que seus pais nem ligavam para a sua existência, mas, que ela sabia que ainda havia quem olhava por ela.

Sorriu sarcasticamente ao se lembrar da sua adoração ao bom velhinho, passava horas na biblioteca atrás de qualquer prova que indicasse a existência do Papai Noel. Nada fora encontrado. Entrou para a ruidosa e velha casinha. Sentou-se na mesma mesa velha e gasta da infância. Comeu e sorriu sozinha. Abriu os presentes e antes de dormir orou pelos pais e o irmão mais novo que morreram e por sua irmã, grávida que não pudera vir nesta nevasca.

Morreu dormindo. E encarou aquilo como o melhor presente do mundo. Apenas o Papai Noel podia dar um presente como aquele:
Paz de Espírito.

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